O poeta Romério Rômulo: todo cavalo é um monte de espinhos
os gados todos que andei em pelo
na carne dura, vou interrogá-los.
meu antro desastrado, meu novelo
selvagens putos, todos os cavalos.
cavalos são estrondos, são estradas.
cavalos são leões. suas voragens
repisam os estouros das manadas.
cavalos são estrelas e homenagens.
me vi na contramão destes cavalos.
eu, puro sangue, em desalinhos.
eles, impuros, bebem nos gargalos.
todo cavalo é um monte de espinhos.
Belo, vigoroso, audaz! parabéns ao poeta