O que é o tal ‘spread’ bancário? É a agiotagem dos bancos
A ESBÓRNIA DOS BANKSTERS
SPREAD: O BANQUETE DOS BANQUEIROS
por Emir Sader *
A palavra spread é o caso típico de se usar expressões em inglês para dificultar a sua compreensão em português. Mas o que significa spread, tão falada pelos comentaristas econômicos?
Pelos dicionários, há várias acepções: extensão, amplitude, envergadura, colcha, pasta etc. Mas há algumas que correspondem melhor ao fenômeno realmente existente: banquete, exibição, ostentação.
O governo vem baixando a taxa Selic, mas os juros bancários, aqueles que realmente contam para o cidadão comum, continuam estratosféricos. Hoje, eles se encontram na casa dos 34,90% ao ano.
O economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, Nicola Tingas, justifica as taxas de juros muito mais altas do bancos, dizendo que “o perfil dos novos tomadores de empréstimo não é bom” (sic) e que “a gente vive numa economia de incerteza”.
E assim eles faturam mais ainda, vendendo incertezas e mantendo taxas de juros estratosféricas. São os profissionais da cafetinagem da incerteza que eles mesmos propagam.
Para saber realmente o que é o tal spread, basta que uma pessoa inadvertida entre num banco e diga que quer aplicar 100 reais na caderneta de poupança. O sujeito atrás do balcão dirá que é uma aplicação, mandará que volte no mês seguinte para retirar 0,6% ou 0,9% a mais na aplicação.
Aí a mesma pessoa dá a volta no balcão e solicita um empréstimo de 100 reais. O mesmo funcionário dirá que é um ótimo negócio, que leve então os 100 reais e no próximo mês traga 112 ou 120 reais para pagar o empréstimo.
A diferença entre o que o banco paga e o que o mesmo banco cobra é o tal do spread. Em inglês parece algo mais sério do que simplesmente tunga, extorsão, ganhar sem produzir bens… e nem empregos!
Por isso se deveria substituir a palavra spread pela correspondente palavra, traduzida ao nosso idioma pátrio, de banquete.
O nível do banquete hoje é de tanto e, assim, os banqueiros dirão que vão manter o nível de banquete elevado porque os novos empréstimos não são seguros, porque vivemos em tempos de incerteza…
Spread, teu nome é banquete!
* Na Carta Maior